Kanthavel Pasupathipillai
Chamo-me Kanthavel Pasupathipillai.
Tenho 25 anos. Nasci em Itália, da união de um Tamil do Sri Lanka com uma mulher italiana de Milão.
Sempre fui profundamente curioso, fortemente crítico e céptico; às vezes hipersensível.
Entrei em contacto desde criança com as disciplinas orientais e as terapias não convencionais, sendo interesses da minha mãe.
Passei por várias paixões: a escrita, as viagens, a procura radical e obsessiva da verdade, a música, … Sou licenciado em Filosofia. Estudei dança moderna durante oito anos. Toco viola (e um bocado trompete).
Mudei-me para Portugal em 2007 para participar num projecto de voluntariado europeu no Alentejo, trabalhando com crianças do primeiro ciclo - nomeadamente de etnia cigana.
Encontro-me actualmente em Lisboa. No último ano tenho estudado Yoga. Acabei há poucos meses o curso de Dança na Comunidade do Forum Dança.
O encontro com as tradições mexicanas
Comecei a interessar-me na cultura tradicional mexicana em 2003, quando tropecei nos livros de Carlos Castaneda.[1]
O ano seguinte encontrei Omar Miranda-Novales. Psicólogo e psicoterapeuta corporal, mexicano. O Omar faz parte desde criança de um “grupo do Nahual”; reside em Europa há muitos anos e vai divulgando aqui essa tradição.
“Estudei” com ele durante quatro anos – até me mudar para Portugal. Visitei México em 2006.
Esta aprendizagem tem transformado bastante a minha vida. Descobri através dela uma cultura vastíssima e um sistema de conhecimentos muito complexo.
O grupo de Omar pertence a uma linhagem Maia com 6.000 anos de idade, caracterizada por conservar e desenvolver uma disciplina física que visa integrar todos os aspectos do ser humano. (Costumo descrivé-lo com a expressão - embora incorrecta - de “Yoga Mexicano”).
Encontrei ainda uma cosmologia, umas formas de terapia, uma ética, uma disciplina dos sonhos, uma visão do universo, da realidade, da vida e da morte, um sistema calendárico, uns rituais, …
Este percurso permitiu conhecer-me de outra forma, e ao mesmo tempo deu-me um ponto de vista para compreender vários aspectos quer das culturas tradicionais mexicanas (a bruxeria, a curanderia, as danças sagradas, a arquitectura dos templos, …) quer de outras tradições, disciplinas e religiões (desde o cristianismo, à psicomagia, até o zen). A tradição tornou-se parte de mim no dia-a-dia, como uma forma de vida. Minha relação com ela continua mudar e não paro de achar surpresas.
O Nahual
O meu interesse principal nessa tradição é o Nahual. [2]
Não se pode definir o termo Nahual. O que se pode definir não é Nahual.
Este pode indicar, dependendo do contexto, uma pessoa (geralmente um mestre), um animal, um universo não-linear atingível através de estados particulares de percepção (além do universo quotidiano, o Tonal), um percurso espiritual (o caminho do Nahual), … Nahual pode ser também o tambor utilizado em certas danças e rituais.
O Nahual não se possui; não se controla. Acontece que se manifeste, e então é possível experiência-lo.
O Nahual torna-se enormemente interessante pelo facto de ser algo de que não se pode falar sem o ter vivenciado. [3]
[1] Carlos Castaneda era um antropologo dos Estados Unidos que, nos anos 60, contactou um bruxo Yaqui mexicano – Don Juan. Quase sem se dar conta – Castaneda tornou-se aprendiz de Don Juan e, durante a vida toda, escreveu livros relatando as suas experiências com ele.
[2] Segundo a antropologia clássica e a cultura popular mexicana os nahuales são animais-espíritos guias ou bruxos que conseguem transformar-se em animais.
[3] Peço desculpa por eventuais erros de português.






